A relação entre política e redes sociais

Desde que Barack Obama revolucionou a comunicação entre candidato e eleitor na sua primeira corrida presidencial, em 2008, cada vez mais políticos passaram a apostar nas novas tecnologias para melhorar seus números nas urnas.

Com um estilo muito diferente, Donald Trump também chegou à presidência apostando em uma participação ativa na internet: hoje, manter um perfil ativo nas redes sociais é fundamental para conquistar votos, mesmo fora do período eleitoral – mas, tanto no Brasil como no exterior, nem todos sabem utilizar essas ferramentas.

Quando Obama chegou à presidência, nove anos atrás, muitos especialistas em tecnologia apontaram que seu grande trunfo havia sido a forma como atraiu os eleitores jovens, afinal, o candidato democrata soube conquistar militantes na internet e colocá-los na rua.

Seu sucesso virou caso de estudo e, ao longo dos seus dois mandatos, Obama acumulou estreias: tornou-se o primeiro presidente americano a usar o Twitter, o primeiro a fazer um vídeo ao vivo no Facebook, o primeiro a postar uma foto com filtro no Snapchat.

Novos caminhos

O caminho aberto por Obama foi seguido por outros. Com declarações polêmicas e milhões de seguidores, Donald Trump construiu grande parte de sua campanha eleitoral através de tweets.

Se Obama mantinha uma figura de bom moço, Trump segue a linha oposta. Sua participação nas redes sociais é repleta de ofensas. Segundo estudos, até o dia 22 de março de 2017, o atual presidente americano já escreveu, por exemplo, 234 tweets chamando alguém de perdedor e outros 183 garantindo que seus críticos são estúpidos.

Muitas pessoas teorizam que Donald Trump utiliza seu Twitter para distrair o público de suas políticas, como em um grande jogo de xadrez, mas isso não é verdade. Se você olhar como ele se comportou na internet nos últimos seis anos, nada mudou. Comprovando ser apenas a personalidade dele.

Seja na persona simpática de Obama ou no discurso intenso de Trump, é nítido que a presença virtual foi eficiente. Agora com o poder em mãos, o grande risco do presidente americano é seguir usando sua conta pessoal sem pensar nas consequências.

Alguns tweets ofensivos de Donald Trump já passaram perto de causar crises diplomáticas com outras nações, como ocorrido em janeiro, quando acusou o México de “tirar vantagem” dos Estados Unidos em acordos comerciais.

Mais recentemente, ele usou seu perfil para “denunciar” Obama por ter grampeado seu escritório durante a campanha eleitoral – uma acusação já desmentida pelo FBI.

Meio auxiliar

Como Trump demonstra, a internet não é mais apenas um instrumento a ser usado apenas durante a campanha eleitoral. As redes sociais devem ser utilizadas para criar um relacionamento com o público fora do período eleitoral.

No Brasil, algumas campanhas obtiveram relativo sucesso em dominar as discussões no passado – caso da hashtag #OndaVerde, impulsionada por Marina Silva em 2014, que permaneceu como um dos assuntos mais comentados no Twitter durante o pleito, embora não tenha se convertido em uma vitória nas urnas.

De qualquer forma, a força da internet não irá parar por aí. Há um consenso de que o marketing digital está se tornando um grande aliado dos políticos. Será ainda mais importante nas eleições presidenciais do ano que vem. Com essa nova restrição aos recursos de campanhas, as redes sociais são a forma mais barata que o candidato tem para divulgar as suas ideias.

E você, já está utilizando as redes sociais como forma de comunicação com seu eleitor? Conte para nós!